Martinho Lutero, o reformador da Igreja – (Parte 2)

Vamos conferir abaixo a segunda parte do estudo:

CONTRA A VENDA DE INDULGÊNCIAS

Em 1517, Johann Tetzel, o astuto agente do arcebispo Alberto, começou a venda de indulgencias em Juterbock, próximo a Wittenberg. O arcebispo Alberto receberia metade e a outra metade iria para o papa Leão X ajudar a pagar pela construção da Basílica de São Pedro em Roma. Lutero e os que o seguiam na recém-descoberta da justificação somente pela fé revoltaram-se com a exploração do povo por esse sistema nefasto de vender a salvação e decidiram fazer um protesto público. Tetzel ensinava que o arrependimento não era necessário para quem comprasse uma indulgencia, por si mesma capaz de dar perdão completo de todo tipo de pecado, até mesmo de pessoas já mortas, desde que um parente comprasse uma indulgencia em nome do falecido.

Em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou suas 95 Teses na porta da Igreja do castelo de Wittenberg. Nelas condenava os abusos do sistema de venda de indulgencias e desafiava a todos que tomassem conhecimento delas para um debate sobre o assunto.

Publicadas as Teses, Tetzel procurou usar a força da ordem dominicana para silenciar Lutero, que encontrara apoio na Ordem Agostiniana. Lutero foi obrigado a debater o problema perante os membros de sua ordem, em Heidelberg, em 1518, mas pouco resultou desse debate, a não ser a ampliação do círculo daqueles que tinham aceitado as suas ideias.

 

A DESILUSÃO COM O PAPADO

Outrora Lutero havia sido como ele mesmo afirmou “Um dos papistas mais entusiastas”, pronto para queimar qualquer herege que difamasse a missa e o celibato do papa. A desilusão dele com o papado evoluiu de sua descoberta do Evangelho, baseada no estudo da Bíblia. O mais tardar em 1521, embora já tivesse identificado o papa e seu sacerdócio com “o reino do demônio e o governo do anticristo”, ainda assim insistia em que ninguém deveria se opor ao papa deliberadamente. O papado era uma praga, uma punição permitida pela “irada providência” de Deus; devia ser suportado com toda a paciência. À medida que ele envelhecia sua polêmica contra Roma tornava-se mais acirrada. Ele se referiu ao Papa Paulo III como “Vossa Diabolicíssima”. O papa e seus associados não eram pelo menos membros da Igreja? Sim, tanto quanto o cuspe, o catarro, o fedor, a cicatriz, a varíola, as úlceras e a sífilis são membros do corpo. Lutero nunca teve “papas na língua”. Mas devemos lembrar que teve o mesmo tipo de ataque injurioso lançado contra ele por parte dos bispos de Roma.

O protesto de Lutero contra a Igreja Romana não foi fundamentalmente moral, como o de Erasmo e de outros reformadores, mas sim teológico. A graça de Deus era a graça de Deus. Não podia ser comprada, vendida ou parcelada em indulgências. “Se o papa tem o controle sobre as almas no purgatório, por que ele não abre os portões e as deixa sair?” Ironizava Lutero. O papado, que era de origem humana e não divina, havia se apropriado indevidamente de uma prerrogativa que pertencia somente a Deus, a salvação das pessoas. A igreja tornara-se um fim em si mesma. A Palavra de Deus passara a ser cativa aos caprichos humanos do poder eclesiástico da igreja. Contra a concepção romana da igreja, Lutero insistia na prioridade do evangelho.

 

A RUPTURA COM A IGREJA CATÓLICA

A ruptura de Lutero com a Igreja de Roma não ocorreu na 

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