Martinho Lutero, o reformador da Igreja – (Parte 5)

Parte 5 do estudo, e também o a penúltima parte de: Martinho Lutero, o reformador da Igreja, segue abaixo:

CONSELHOS AOS PREGADORES

Lutero recuperou a doutrina paulina da proclamação: a fé vem pelo ouvir, o ouvir a Palavra de DeusMas como ouvirão se não há um pregador? (Rm 10.17). Lutero não inventou a pregação, mas elevou a um novo status dentro do culto cristão. Ele considerou significativo que mesmo o povo comum falava de ir à igreja para ouvir a missa, não para vê-la. O sermão era a melhor e mais necessária parte da missa. Lutero investiu-o de uma qualidade quase sacramental tornando-o o núcleo da liturgia. O culto protestante centrava-se ao redor do púlpito e da Bíblia aberta, com o pregador encarando a congregação, não em volta de um altar com o sacerdote realizando um ritual secreto. O ofício da pregação era tão importante que até os membros banidos da igreja não deviam ser excluídos de seus benefícios: “A Palavra de Deus deve permanecer livre para ser ouvida por todos”.

Os livros de Lutero estão cheios de conselhos para os pregadores. As três marcas de um bom pregador são estas: ele se levanta, fala e sabe quando se calar!  Deixem-no falar vigorosa e claramente, não como se tivesse algo tampando sua boca. A Igreja é uma casa de fala, não uma casa de fala farinácia! Mais importante ainda, o pregador deve ter algo válido para dizer. Que pregador seja bom no texto, bem versado nas Escrituras. Lutero denunciava os pregadores “preguiçosos e ruins”, que pegavam todo seu material de outros, de auxílios homiléticos e de livros de sermão, sem orar, ler nem buscar as Escrituras para si mesmo. O sermão não devia ser expresso em jargões teológicos, mas na linguagem clara e viva do povo. Acima de tudo a pregação deve ser verdadeira em seu próprio conteúdo, que é Cristo. Apenas assim pode cumprir sua tarefa como parte central de todo o culto divino.

 

A VOLTA A CIDADE NATAL

No início de janeiro de 1546, aos 62 anos, Lutero retornou à cidade natal, Eisleben, para resolver uma disputa política entre os príncipes de Mansfeld. A viagem de Wittenberg a Eisleben era de 130 km. Lutero, com a saúde extremamente debilitada, foi acompanhado dos três filhos, Hans, Martinho e Paulo, e também de um amigo de confiança. Justus Jonas. Dois dias após a partida, ainda a caminho, Lutero escreveu para a esposa Kate, falando dos riscos da viagem.

Em 14 de fevereiro, Lutero teve sucesso em efetuar a reconciliação entre os príncipes feudais. Três dias depois, o acordo foi assinado e Lutero preparou-se para voltar para Wittenberg. De súbito, ficou doente e desfaleceu de estafa. Aparentemente sabia que o fim estava próximo, como as pessoas às portas da morte muitas vezes sabem. Ele comentou que os bebês morriam aos milhares, “mas quando eu, Dr. Martinho, morro aos 63 anos, não creio que haja mais do que 60 ou 100 no mundo todo morrendo comigo. Tudo bem, nós os velhos, devemos viver tanto para ver o diabo na retaguarda”.

Depois da refeição da noite, Lutero subiu as escadas e deitou-se para orar. A dor aumentava. Seus amigos faziam compressas com toalhas quentes. Ele teve uma série de ataques, e os médicos foram chamados. Depois de algumas horas de sono, por volta de 1 hora Lutero acordou com dores. Ele repetiu em latim o quinto versículo do Salmo 31: “In manus tuas commendo spiritum meum, redimisti me, domine Deus veritais”. “Nas tuas mãos entrego o meu espírito; tu me remiste, Senhor, Deus da verdade”. Jonas perguntou-lhe: “Reverendo padre, você morrerá firmemente em Cristo e na doutrina que você pregou?”. Lutero respondeu alto o suficiente para todos no quarto ouvirem: “Sim!”. Ao amanhecer, estava morto.

O corpo de Lutero foi posto num caixão de estanho e retornou a Wittenberg, onde o colocaram para descansar na catedral em cuja porta ele havia afixado as 95 teses, aproximadamente 30 anos antes. Melanchton proferiu a mensagem no funeral, estabelecendo o reformador morto no contexto mais amplo possível da história da Igreja, até mesmo na história da salvação. Os patriarcas, juízes, reis e profetas do Antigo Testamento haviam sido sucedidos por João Batista, o próprio Jesus e os apóstolos. O Dr. Martinho também deveria ser incluído “nessa bela ordem e sucessão de indivíduos na Terra”. De fato, afirmou Melanchton, o puro evangelho de Cristo fora mais claramente pregado por cinco homens: Isaías, João Batista, Paulo, Agostinho e o Dr. Lutero.

 

Bibliografia: 

Dias, J. B. (14 de Outubro de 2017). Martinho Lutero, o reformador da Igreja. Fonte: Santo Vivo: www.santovivo.net

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