Martinho Lutero, o reformador  da Igreja – (Parte 1)

A paz do Senhor amados, neste estudo queremos trazer, o que foi a reforma protestante e o homem usado por Deus por trás da mesma. Nesta série de artigos esperamos que todos possam conhecer melhor sobre a história da Igreja, ou seja, a nossa história. O estudo está dividido em partes, pois o conteúdo é extenso, então leiam os artigos na ordem para maior entendimento. Confira abaixo a parte 1 do estudo, escrito por José Bezerra Dias, do site Santo Vivo.

Martinho Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483 na pequena cidade de Eisleben. Filho de um burguês modesto, chefe da corporação de mineiros locais. Em 1511 tinha cotas de participação em seis minas de cobre e duas fundições, mesmo assim a família passava por dificuldades financeiras quando Lutero nasceu.

Seus pais, particularmente sua mãe eram muito supersticiosos e inculcaram nele muitas superstições próprias dos camponeses. Algumas dessas fantasias o perseguiram durante a longa luta em busca da salvação de sua alma.

Após um breve período numa escola em Magdeburg, Lutero foi mudado para uma escola em Eisenach, ficando ali de 1498 a 1501. Era sustentado por amigos bondosos. Nessa escola recebeu o ensino superior de latim, condição essencial para sua entrada na Universidade. Em 1501 já na Universidade de Erfurt, começou a estudar filosofia de Aristóteles sob a influência de professores que seguiam as ideias nominalistas de Guilherme de Occam. Occam ensinava que a revelação era o único guia no campo da fé, mas que a razão era o guia verdadeiro da filosofia. Esses estudos filosóficos de Lutero em Erfurt convenceram-no da necessidade da intervenção divina para que o homem alcançasse a verdade espiritual e se salvasse. Em 1502, ele recebeu o grau de bacharel em artes, em 1505, o de mestre em artes.

Seu pai queria que ele estudasse direito; Lutero porém ficou apavorado durante uma perigosa tempestade numa estrada de Erfurt, e prometeu a Santa Ana tornar-se monge caso conseguisse sair da tempestade com vida. Talvez a crescente preocupação com sua alma tenha chegado a um clímax com essa experiência de julho de 1505, que seu pai chamava de “tramoia do diabo”. Três semanas depois Lutero entrou num mosteiro da ordem agostiniana em Erfurt. Em 1507 foi ordenado monge e celebrou a primeira missa.

No inverno de 1508, ensinou teologia por um semestre na Universidade de Wittenberg. Seus estudos agora em Erfurt eram principalmente teológicos. Tais estudos só fizeram aguçar sua luta interior; ele encontrou auxílio nos conselhos do piedoso Johann Von Staupitz, o vigário geral da sua ordem, que lhe aconselhou a confiar em Deus e estudar a Bíblia.

 

AS CONSEQUÊNCIAS DA VIAGEM A ROMA

No inverno de 1511, sua ordem o enviou a Roma a negócios. Lá ele viu um pouco da corrupção e da luxúria da Igreja Romana e começou a compreender a necessidade de uma reforma. Passou muito tempo visitando igrejas e vendo as numerosas relíquias que estavam em Roma. Ficou chocado com a leviandade dos sacerdotes italianos, capazes de rezar várias missas enquanto ele rezava uma. Quer dizer, os sacerdotes rezavam missas sem se preocupar com o conteúdo, muitos menos com o povo que vinha para participar da mesma.

Em 1511, Lutero foi transferido para Wittenberg. Durante o ano seguinte, tornou-se professor da Bíblia e recebeu o título de doutor em teologia. Até sua morte ele ocupou a posição de professor de teologia.

Passou a ensinar os livros da Bíblia na linguagem local e para fazê-lo melhor, começou a estudar as línguas originais da Bíblia. De 1513 a 1515, deu aulas sobre os Salmos; de 1515 a 1517 ensinou sobre a carta aos Romanos e depois Gálatas e Hebreus. Entre 1515 e 1519, quando preparava suas aulas encontrou a tão buscada paz interior que nunca conseguira nos ritos, nos atos ascéticos e nas flagelações. A leitura do versículo 17 do capítulo 1 de Romanos convenceu-o de que somente pela fé em Jesus era possível alguém se tornar justo diante de Deus. A partir daí ele compreendeu que a justificação diante de Deus era alcançada somente pela fé e a certeza de que as Escrituras são a única autoridade para o pecador procurar a salvação em Cristo Jesus.

A visita a Roma, os escritos dos místicos e os escritos dos Pais da Igreja, especialmente Agostinho, exerceram influência significativa em sua vida, mas foi o estudo da Bíblia que o levou a crer que somente em Cristo estava sua salvação.

 

CONTRA A VENDA DE INDULGÊNCIAS

Em 1517, Johann Tetzel, o astuto agente do arcebispo Alberto, começou a venda de indulgencias em Juterbock, próximo a Wittenberg. O arcebispo Alberto receberia metade e a outra metade iria para o papa Leão X ajudar a pagar pela construção da Basílica de São Pedro em Roma. Lutero e os que o seguiam na recém-descoberta da justificação somente pela fé revoltaram-se com a exploração do povo por esse sistema nefasto de vender a salvação e decidiram fazer um protesto público. Tetzel ensinava que o arrependimento não era necessário para quem comprasse uma indulgencia, por si mesma capaz de dar perdão completo de todo tipo de pecado, até mesmo de pessoas já mortas, desde que um parente comprasse uma indulgencia em nome do falecido.

Em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou suas 95 Teses na porta da Igreja do castelo de Wittenberg. Nelas condenava os abusos do sistema de venda de indulgencias e desafiava a todos que tomassem conhecimento delas para um debate sobre o assunto.

Publicadas as Teses, Tetzel procurou usar a força da ordem dominicana para silenciar Lutero, que encontrara apoio na Ordem Agostiniana. Lutero foi obrigado a debater o problema perante os membros de sua ordem, em Heidelberg, em 1518, mas pouco resultou desse debate, a não ser a ampliação do círculo daqueles que tinham aceitado as suas ideias.

 

A DESILUSÃO COM O PAPADO

Outrora Lutero havia sido como ele mesmo afirmou “Um dos papistas mais entusiastas”, pronto para queimar qualquer herege que difamasse a missa e o celibato do papa. A desilusão dele com o papado evoluiu de sua descoberta do Evangelho, baseada no estudo da Bíblia. O mais tardar em 1521, embora já tivesse identificado o papa e seu sacerdócio com “o reino do demônio e o governo do anticristo”, ainda assim insistia em que ninguém deveria se opor ao papa deliberadamente. O papado era uma praga, uma punição permitida pela “irada providência” de Deus; devia ser suportado com toda a paciência. À medida que ele envelhecia sua polêmica contra Roma tornava-se mais acirrada. Ele se referiu ao Papa Paulo III como “Vossa Diabolicíssima”. O papa e seus associados não eram pelo menos membros da Igreja? Sim, tanto quanto o cuspe, o catarro, o fedor, a cicatriz, a varíola, as úlceras e a sífilis são membros do corpo. Lutero nunca teve “papas na língua”. Mas devemos lembrar que teve o mesmo tipo de ataque injurioso lançado contra ele por parte dos bispos de Roma.

O protesto de Lutero contra a Igreja Romana não foi fundamentalmente moral, como o de Erasmo e de outros reformadores, mas sim teológico. A graça de Deus era a graça de Deus. Não podia ser comprada, vendida ou parcelada em indulgências. “Se o papa tem o controle sobre as almas no purgatório, por que ele não abre os portões e as deixa sair?” Ironizava Lutero. O papado, que era de origem humana e não divina, havia se apropriado indevidamente de uma prerrogativa que pertencia somente a Deus, a salvação das pessoas. A igreja tornara-se um fim em si mesma. A Palavra de Deus passara a ser cativa aos caprichos humanos do poder eclesiástico da igreja. Contra a concepção romana da igreja, Lutero insistia na prioridade do evangelho.

 

Bibliografia: 

Dias, J. B. (14 de Outubro de 2017). Martinho Lutero, o reformador da Igreja. Fonte: Santo Vivo: www.santovivo.net

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